Em 2014, na semana após perder a invencibilidade na competição e o título de tricampeão goiano para o Atlético, a diretoria do Goiás demitiu o então treinador Claudinei Oliveira.

Em 2019, na semana após perder o título de pentacampeão goiano para o mesmo Atlético, a diretoria do Goiás contrata… Claudinei Oliveira.

O esmeraldino é acostumado a reveses proporcionados pelos ventos da Serrinha em anúncios semelhantes, mas nem o mais cético torcedor esperava por essa. E não é nada contra (nem a favor) o profissional em si, mas sim sobre a dicotomia expectativa x realidade.

Se tem uma coisa na qual os serrinhistas são imbatíveis é nesta: brochar a torcida. Às vezes parece coisa proposital, às vezes, parece só falta de senso, falta de sentir o que pede o momento. Duas coisas a gente sabe faz tempo: que o que não falta de dinheiro falta em gestão.

Graças a tantas “faltas”, principalmente a de noção, Claudinei chega já desgastado com o torcedor e tendo de enfrentar essa pressão adicional desde já.

Como se não bastasse ter sido o primeiro goiano eliminado da Copa do Brasil, como se não bastasse a perda do título estadual, como se não bastasse um time que se desfez técnica e taticamente ao longo de três meses.

Claudinei foi demitido em março da Chapecoense, a quem dirigiu no fim de 2018, conseguindo escapar do rebaixamento à Série B. O problema é que começou o ano no Avaí, após ter caído de divisão no comando da equipe no ano anterior; antes de desembarcar em Chapecó, esteve no Sport e no Paraná. Ambos disseram adeus à Série A.

O que dizer, depois de escrever tudo isso? Que a diretoria do Goiás conseguiu surpreender todo mundo. Alguns, como eu, pensavam que, diante da iminência da perda do título goiano, o treinador já estaria até contratado desde a semana passada e apenas esperariam tudo se consumar para anunciar o nome.

Outros acharam que iriam abrir o cofre / tirar o escorpião do bolso para trazer um nome de peso para o comando. Falaram em Vanderlei Luxemburgo, em Dorival Júnior… Ah, que ilusão.

Não só não houve nada disso como só fecharam com Claudinei depois de receberem pelo menos umas três negativas nos contatos Brasil afora, de treinadores de perfis os mais diversos.

E o que teria a ver o trabalho de Claudinei com o de Barbieri? Ou era para não “ter a ver” mesmo?

Tudo isso só faz ressaltar algo verificável de forma cristalina até de longe: o Goiás não fez qualquer planejamento para o que virá.

E o Brasileirão não vai esperar mais. Está aí, tem viagem pro Rio daqui a pouco, para pegar o Fluminense. E a realidade é que, provavelmente, somos hoje o time com a pior expectativa por parte de sua torcida.

Mas vamos lá, novamente juntar forças e torcer para o acaso, sempre ele, nos ajudar outra vez. Nas horas difíceis o recado é aquele: ninguém solta a mão de ninguém.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Apesar dos muros da Serrinha serem altos para entender os anseios da torcida, aqui do lado de fora dá para perceber que há um forte bate-cabeça na diretoria.

 * * * * *  Torcedores irritados com a contratação de Claudinei Oliveira ligaram para dirigentes como Túlio Lustosa (diretor de futebol) e Harlei Menezes (assessor da presidência). O primeiro garantiu que “vai dar certo”; o segundo disse que não tem nada a ver com isso e mandou ligar para o primeiro.

 * * * * *  Muito cacique, pouco índio, nenhuma tribo, aldeia a perigo. Pra bom entendedor, poderia falar essa até em tupi-guarani.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.