Depois de uma pausa bem longa, voltamos à rotina do blog Verde 33, com vários assuntos pendentes:

  • a lamentável venda de Michael;
  • a multicontratação de estrangeiros e “estrangeiros”;
  • a não manutenção de uma espinha dorsal do time;
  • o começo capenga no Goianão;
  • etc. etc.

Aos poucos, vamos retomar cada um desses assuntos, porque o momento agora é de muita preocupação com a estreia do Goiás na Copa do Brasil, às 22h30, contra o amazonense Fast Club. Motivos? Vamos a eles.

  1. O jogo em si é uma incógnita: sabe-se muito pouco do adversário – que certamente é bastante limitado, já que venceu apenas um jogo em quatro no Amazonense e estava havia 15 partidas sem ganhar;
  2. As condições climáticas de Manaus, mesmo à noite, são sempre desfavoráveis a quem não está acostumado, por conta da grande umidade – sem falar na probabilidade de chover;
  3. O gramado da Arena da Amazônia – um dos maiores desperdícios de dinheiro público da história brasileira – estava impossibilitando a prática do futebol, a ponto de gerar críticas abertas dos jogadores dos times locais. Passou por uma reforma relâmpago de dez dias para o jogo da Copa do Brasil e o que vai sair da gambiarra que fizeram é um suspense.

Esses, porém, são motivos alheios ao ambiente do Goiás.

A questão é que, com o respeito que todo adversário merece, preocupa muito mais as condições com que a equipe de Ney Franco chega para esse mata-mata que é só “mata”, ou seja, confronto único.

Pelo regulamento da Copa do Brasil, o anfitrião é obrigado a vencer o duelo. Se empatar ou perder, óbvio, classifica-se o visitante.

Ou seja, bastaria o Verdão não tomar gol e voltaria com a vaga na bagagem e mais R$ 950 mil para o cofre estufado da Serrinha. Parece até fácil, não?

Seria realmente, não fosse a pulga atrás da orelha esmeraldina com os resultados e, principalmente, com o desempenho neste início de temporada. Mais do que os números, o Goiás não tem mostrado o mínimo de organização dentro de campo.

O empate contra o Vila Nova deixou bem claro que não sobrou base alguma do trabalho do ano passado. Nenhuma jogada minimamente esboçada, nenhuma concatenação entre os blocos defesa-meio-ataque, nem mesmo nenhuma jogada individual que valesse a pena o ingresso.

Então, apesar de o treinador ser o mesmo (e daqui uns dias vamos falar disso aqui também), o jeito é começar do zero de novo. E sem Michael.

Claro, nada disso tira o natural favoritismo do Goiás para o jogo de logo mais e, em particular, para a classificação. Até porque do lado de lá parece não haver também qualquer organização ainda – o Fast, domingo, venceu seu primeiro jogo depois do longo jejum de vitórias.

Quando as coisas vão mal no placar, meu pai costuma dizer que “o Goiás não ganha de time pequeno”. “Não ganha”, interpreto eu, no sentido de “sofrer” nesses jogos. Isso a gente sabe. Talvez ocorra mais com o Goiás, mas acontece com todo time mais estruturado que encara um pequenino valente e arrumadinho.

Vamos ver como será em Manaus. A única coisa que não pode ocorrer, de jeito algum, é o Verdão se apequenar.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  O técnico do Fast Club é Wladimir Araújo, ex-jogador formado na Serrinha, mas que viveu boa parte da carreira como atleta no Vila Nova. Treinador já experiente e que conhece muito bem o futebol goiano e, por consequência, o Goiás.

 * * * * *  Se a defesa nunca era uma maravilha com Rafael Vaz, sem ele parece ter piorado bastante. O mesmo ocorre com o meio sem Yago Felipe e, nem precisava dizer, o ataque (e o time inteiro) com Michael. Haja reconstrução!

 * * * * *  O que teria passado na cabeça de Rafael Moura ao acertar o adversário daquela forma quando estava havia apenas um minuto em campo? Quem conseguiu entender, explique.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.