Futebol é sempre uma caixinha de surpresas e mais uma delas pode acontecer nesta quarta-feira, a partir das 19h15, se o Goiás não perder para o Santo André.

O time de Ney Franco não é mais o time de Ney Franco. Digo isso no sentido de que nem o elenco parece entender – para dizer o mínimo – qual é a proposta de trabalho, mas também no de que o próprio treinador parece ter entregado os pontos.

É o que se deduz do conteúdo (ou da falta dele) de sua coletiva à imprensa na terça-feira (3/3). Lacônico e com cara de poucos amigos, ele parecia custar a manter a educação que lhe é peculiar diante das perguntas dos repórteres – diga-se, questionamentos “padrões” que também não ajudavam muito e que precisam ser reavaliados pelos veículos.

Aviso: os três próximos parágrafos são de pura ilação. Mas precisamos tentar entender os movimentos que emanaram dessa entrevista tão estranha para o padrão do treinador.

Ney Franco me parece estar de saco cheio do trabalho e do ambiente de trabalho. Parece saber que o caminho não vai dar em nada. Não deve estar contente em ter sido fritado pela diretoria após a segunda derrota e a consequente eliminação para o Sol de América, na Copa Sul-Americana.

Ora, se a diretoria já não lhe garantia mais o emprego naquele momento, por que não o demitiu? [modo irônico on] Será que, por alguma circunstância, não poderiam estar pensando no peso da multa rescisória e de repente, esperando o treinador tomar a decisão de sair? Seria estranho, já que na Serrinha quase não se pensa em dinheiro. [modo irônico off]

Sendo assim, o que vejo é um técnico mais desmotivado do que a própria equipe. E, assim sendo, não consigo enxergar qualquer possibilidade de sucesso diante da maioria dos adversários.

Ora, se o Goiás não conseguiu se impor diante do capenga Vila Nova que jogou com um atleta a menos durante 70% da partida de domingo, o que esperar diante de um Santo André que lidera o Campeonato Paulista em pontos e é, longe de um elenco cheio de talento, um time que joga redondinho?

A bem da verdade, Ney Franco já deveria ter sido demitido. O timing correto seria no retorno de Assunção, para que alguém assumisse e conseguisse motivar a equipe para o jogo de volta contra os paraguaios. Não havia tempo a perder, mas perderam.

Afinal e infelizmente, Marcelo Almeida não é Adson Batista e o Goiás parece tomar decisões no compasso de um mastodonte com o tal “colegiado”.

Perdemos a classificação e o dinheiro da Sula na semana passada e, a não ser que ocorra algo mais do que improvável, perderemos a classificação e o dinheiro da Copa do Brasil nesta noite.

Os serrinhistas talvez um dia aprendam que futebol de resultados precisa ser tão dinâmico fora de campo como é dentro dele.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Mais do que criticar o treinador pela indisposição demonstrada diante das perguntas, os colegas dos veículos de imprensa esportiva deveriam buscar uma nova forma de trabalho. O modelo que continuam a usar é o mesmo nas últimas quatro décadas.

 * * * * *  Não adianta falar deste ou daquele jogador, tentar agora falar quem serve ou não. O fato é que o time precisa ser remontado com as mesmas peças – se é que dá para entender, e acho que dá – para então haver uma avaliação de quem deve ficar ou sair, diante da metodologia do novo profissional que comandará a equipe.

 * * * * *  O fato é que o elenco terá de ser mais enxuto, mas ainda acredito que vários jogadores podem melhorar seu desempenho. É o caso de Pintado, Keko e Victor Andrade.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.