O ex-ministro do STF teria atributos para agradar tanto a direita como a esquerda. Quem vai ficar com seu capital político?

O ex-presidente Lula está fora do páreo. Jair Bolsonaro parece ter chegado a um teto de intenções de voto. Marina Silva segue em seu patamar histórico. Os demais pré-candidatos não decolam. De repente, aparece um nome que não estava no script: Joaquim Barbosa.A primeira pesquisa Datafolha que o incluiu, como o possível candidato à Presidência pelo PSB, já o jogou com algo em torno de 10% das intenções de voto em alguns cenários. Não é pouco para um “novato”.

Só que Joaquim desistiu, por uma série de fatores, mas principalmente por pesar a exposição que sofreria. Acho ruim o custo-benefício. É verdade que há muita coisa para rolar nos próximos meses, mas o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do qual foi também presidente, não deverá mesmo ser candidato. Seu perfil, porém, possuiria todas as ferramentas para conseguir algo que nenhum outro candidato pôde até o momento: arregimentar militantes da extrema-direita à esquerda mais flexível.

Joaquim Barbosa 2 - Eleições 2018: quem vai ficar com Joaquim?
Ex-presidente do STF Joaquim Barbosa: embora pré-candidato desistente, seu capital político potencial vale ouro | EBC

Que os atributos nele agradariam à direita e mesmo a seu extremo? Joaquim Barbosa é o ícone do mensalão, onde começou a punição à corrupção, especialmente à de lideranças do PT. Bem antes de Sérgio Moro, se tornou ele mesmo um simulacro de Batman, um justiceiro de toga. Parte dos votos que hoje está com Bolsonaro podem facilmente ser captados por alguém com o perfil do ex-magistrado.

Ele também satisfaria ao perfil de muita gente da esquerda não dogmática: representa as minorias – um negro que ascendeu às altas esferas do poder –, defende bandeiras progressistas e se posicionou publicamente de forma contrária ao impeachment de Dilma Rousseff e a favor da investigação das denúncias contra Michel Temer.

Em um cenário de desalento quanto às opções políticas, Barbosa seria o outsider perfeito. Obviamente, sua vida seria devassada e alguns esqueletos chegaram a sair do armário logo que seu nome ganhou destaque. Não sobreviveu a essa etapa dura por ter de lidar com a chamada “realpolitik”, a política da vida real, embora seu nome tivesse condições de ser bem aceito pelo partido.

Aliás, estar no PSB – um partido consolidado, com estrutura e que saiu pouco afetado do tsunami chamado Operação Lava Jato – seria outra imensa vantagem em relação a, por exemplo, Bolsonaro e seu nanico PSL.

Como resumiu um colega, Joaquim Barbosa seria ótima matéria-prima para o marketing político elaborar um candidato palatável ao imaginário do eleitorado brasileiro.

Resta saber: quem ficará com esse potencial excepcional? Ou quem convencerá Joaquim a se juntar nessa corrida eleitoral? Afinal, renunciando ao desejo da Presidência, o ex-magistrado se tornou o vice dos sonhos de qualquer concorrente.

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