Um vírus novo é um mistério em si, mas o coronavírus tem intrigado além da conta.

Algumas perguntas: por que algumas pessoas nem sentem nada e, ao fazer o teste, ficam sabendo que já foram contaminadas e até têm anticorpos contra o coronavírus? Como explicar que, em vários casais, apesar da convivência tão próxima, um se contamine e o outro parceiro não seja afetado? E regiões inteiras onde a incidência da covid-19 continua muito baixa, mesmo após o relaxamento da quarentena?

Mais perguntas: por que pra alguns a covid é mesmo só uma “gripezinha”? E por que tantos outros, fortes e aparentemente saudáveis, com “histórico de atleta”, acabam perdendo a vida para a doença? E as crianças, que raramente ficam afetadas? Como explicar?

Enquanto no Brasil a população vive o auge do problema, com milhares de mortes por semana, em outros continentes, depois do pior do surto, a ciência começa a buscar respostas para questões como as acima.

E algumas questões, até agora muito complexas e misteriosas, são analisadas em artigos científicos que têm como conclusão algo que podemos chamar de “começo das respostas”.

Uma delas é a chamada “imunidade cruzada”. É o centro de um trabalho científico publicado na renomada revista Cell.

Segundo o estudo, de dois pesquisadores estadunidenses, de 40% a 60% da população pode estar imunizada contra a covid-19 mesmo sem ter sido exposta ao novo coronavírus.

Isso ocorreria por causa da ação das células protetoras, os chamados linfócitos T (ou células T), que já estariam previamente ativados por outros coronavírus causadores de resfriados.

Os autores Alessandro Sette e Shane Crotty, do instituto La Jolla, na Califórnia (EUA), no entanto, dizem que, “apesar de o estudo sugerir que há uma imunidade preexistente, isso ainda é apenas uma hipótese”. Precisam ser publicados mais trabalhos, conforme disseram à Agência France Press.

O pesquisador François Balloux, da College University, em Londres, diz que a imunidade preexistente poderia ser uma explicação para o fato de os casos de covid-19 não terem aumentado após o relaxamento do confinamento em muitos países.

Como? A resposta é semelhante à de seus colegas: por exposição anterior a outros coronavírus menos violentos, que provocaram resfriados comuns.

Por prudência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aguarda mais estudos. O assessor da entidade Michael Ryan diz que ainda não há evidências de que uma infecção anterior por outro coronavírus tenha alguma correlação com uma eventual imunidade.

Mas, seja por imunidade cruzada ou não, cada vez mais cientistas acreditam em que nem todos são suscetíveis a ficar doente de covid-19.

Isso seria uma explicação para estudos mostrarem que o novo coronavírus infectou apenas uma pequena porcentagem da população (entre 5% e 10%) mesmo em vários países bastante castigados pela pandemia, como Espanha e França.

O que está dado até o momento pode levar a avançar mais estudos sobre o índice necessário de imunidade coletiva (a porcentagem de pessoas imunizadas necessárias para acabar com a epidemia) com a hipótese de que esse índice seja bem menor do que o esperado – hoje, de 60% a 70% da população.

A matemática Gabriela Gomes, que faz seus estudos epidemiológicos em Liverpool, acredita que a imunidade coletiva pode ser alcançada com algo entre 10% e 20% da população, segundo um estudo do qual é coautora. O trabalho ainda não foi avaliado por outros cientistas.

Entre as incertezas, há um fato: a ciência está avançando para entender cada vez mais o mecanismo de imunidade contra a covid-19.

Com informações da AFP.


O portal Estádio das Coisas apoia as medidas
de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.
#FiqueEmCasa    #SeSairUseMáscara


COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.