Cada pessoa tem seu histórico de vida e de doenças. São febres, corizas, tosses, dores e prostrações que só quem já passou pode contar como foi.

Mas algumas enfermidades deixam uma espécie de “cicatriz positiva” no corpo: são as causadas por micro-organismos, para a maioria dos quais a pessoa passa a adquirir resistência imunológica.

Talvez isso possa explicar por que algumas pessoas infectadas com o novo coronavírus apresentam apenas sintomas leves ou mesmo ficam assintomáticas.

Essa questão é um dos grandes desafios a comunidade científica para esclarecer o enigma chamado covid-19.

Um estudo publicado recentemente na Cell, respeitada revista científica, apresenta uma hipótese esperançosa: ter superado outros coronavírus pode deixar alguma imunidade no corpo para o caso de ele ser atacado pelo Sars-CoV-2, o vírus da pandemia.

Isso é o mecanismo conhecido como imunidade cruzada.

Em entrevista à BBC, o virologista Estanislao Nistal, também professor de microbiologia na Universidade CEU San Pablo, de Madri, explicou como isso se dá. “A partir do momento em que nascemos, somos confrontados com muitos agentes infecciosos. E o corpo precisa saber como reagir de maneira específica contra o que é estranho e o que pode causar uma patologia.”

Assim, ao se deparar com um vírus pela primeira vez, normalmente a resposta é “muito boa” e produz um tipo de memória capaz de durar a vida inteira, explicou.

A imunidade cruzada consiste na capacidade de células de defesa, como os linfócitos, em reconhecer sequências de determinado vírus, bactéria ou agente infeccioso e ser capaz de identificá-las depois, em outro micro-organismo.

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Mesmo sendo um vírus novo, o Sars-CoV-2 pode estar dentro do conceito de imunidade cruzada porque pertence à família dos coronavírus. Existem sete deles identificados, sendo que a quatro dos quais a população está exposta anualmente. Nistal os chama de “coronavírus sazonais”.

Quando esses coronavírus atacam alguém, a vítima não apresenta complicações graves. O mais comum é ficar resfriada, diz o virologista. “E esse resfriado normalmente ativa os linfócitos que temos”.

Como foi o estudo sobre imunidade cruzada 

Pesquisadores do Instituto de Imunologia La Jolla, na Califórnia, autores do estudo na revista Cell, usaram amostras de sangue coletadas entre 2015 e 2018 de quem tinha superado coronavírus sazonais, mas que, obviamente, ainda havia sido exposto ao Sars-CoV-2.

Os cientistas colocaram essas amostras em contato com sequências ou fragmentos do Sars-CoV-2 e viram que havia uma reativação celular.

Ou seja: “O que os pesquisadores veem é que existem linfócitos capazes de reconhecer esses fragmentos [do novo coronavírus] e ativar”, diz Nistal. “Isso é o que significa que eles têm imunidade cruzada”.

O resultado era até “bastante esperado”. Embora seja um novo vírus, o Sars-CoV-2 “possui cerca de 80% de homologia com o Sars [Sars-CoV-1, vírus da síndrome respiratória aguda grave, que apareceu em 2002] e de 40 a 60% de homologia com coronavírus circulantes ou sazonais”.

Para o especialista, isso explicaria, em parte, por que existem pessoas com sintomas muito leves ou mesmo sem sintomas. “Outra parte também seria explicada pela imunidade inata”, conclui.

Com informações da BBC.


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