Ciência é algo para ser feito com tempo e não com imediatismo.

E toda comunicação científica deve ser feita com precisão, para que não haja distorções nem ruídos na mensagem.

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou uma pesquisa concluindo ser “muito rara” a transmissão da covid-19 por pacientes sem sintomas (assintomáticos), houve um “esquecimento” fundamental no processo.

Daí a necessidade de a entidade ter feito um urgente esclarecimento logo um dia depois.

Sem entrar no mérito da questão de assintomáticos transmitirem ou não o vírus, nem do quão transmissível seria  – o que ainda é algo polêmico e nada conclusivo –, existe outro fator pelo qual ninguém poderia achar que é possível quebrar o isolamento ou qualquer outra medida de restrição.

É que há uma diferença enorme entre duas categorias de contaminados: os já citados assintomáticos (que não chegarão a manifestar a doença) e os pré-sintomáticos (aqueles que terão a doença, mas ainda não tiveram manifestação de sintomas).

Ora, a comunicação feita pela OMS em nenhum momento falou sobre os pré-sintomáticos, que são transmissores, mesmo nessa fase (antes de apresentarem sintomas).

E, como não houve um esclarecimento maior da OMS sobre esses casos, o melhor que poderia ter sido feito era não anunciar nada, porque não faz qualquer sentido divulgar algo sobre o qual não há controle nem prognóstico – não há como saber quem seguirá assintomático ou manifestará sintomas daqui a alguns dias.

Resumindo: antes de manifestar a doença, todos são assintomáticos. Parte destes, porém, desenvolverá os sintomas. Ou seja, na verdade essa parcela era apenas pré-sintomática.

Se ninguém tem como prever qual será seu caminho, não faz sem sentido algum qualquer pessoa, mesmo que seja testada e esteja sem sintomas, deixar de seguir as recomendações de prevenção – uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento social, especialmente em locais de grande aglomeração.

Entendendo os pré-sintomáticos

Para ir mais a fundo: há evidências fortes de que os pré-sintomáticos têm uma capacidade considerável de transmissão já nessa fase anterior.

Em um trabalho publicado na Nature Medicine, pesquisadores seguiram a cadeia de transmissão de 94 pacientes com covid-19.

Resultado: eles estimaram que 44% das infecções secundárias — causadas diretamente por esse pessoal — ocorreram antes de qualquer tosse ou espirro.

Nesse estudo – na linha oposta ao que dizem os contrários ao isolamento social – há o seguinte alerta:

“Medidas de controle devem ser ajustadas para que
prováveis transmissões pré-sintomáticas sejam consideradas.”

Abrir mão do isolamento é o mesmo que colocar na rua uma multidão pré-sintomática, que simplesmente não teve tempo de sofrer as consequências do coronavírus, mas que vão ter a doença e, mesmo antes disso, conseguirão disseminá-la.

Portanto, “abrir tudo” e “voltar ao normal” seriam atitudes extremamente irresponsáveis – ainda mais num país como o Brasil.

Com informações da Veja Saúde.


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