Somos pentacampeões do futebol, mas talvez precisemos aprender a respeitar mais esse esporte. E aprender que lá fora tem gente que sabe jogar bola (e muito bem) também

Depois de zoar Alemanha, Argentina, Espanha, foi a vez de fazer o “tchau, tchau, tchau!” para nós mesmos. A seleção está fora da Copa. O hexa virou projeto de quatro anos, novamente.

E agora parece que acabou a ironia na expressão Fantástica Geração Belga, pela qual muita gente, inclusive na imprensa, se referiu de forma pejorativa ao adversário, com menosprezo mesmo. Simples, eles são bons mesmos (e enquanto escrevo isso vejo um jornalista fazer seu mea culpa sobre exatamente isso na TV).

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Hazard se ajoelha ao fim do jogo, enquanto Witsel comemora ao fundo: os belgas foram melhores, simples assim | Getty Images

É que no futebol nem sempre vence o melhor. Não foi o caso de hoje. A Bélgica mereceu muito. É um timaço, se defendeu bem (que, nos disseram, seria seu ponto fraco) e foi perigosíssima nos contra-ataques. Um deles foi mortal e originou o segundo gol, aquele que jogou o Brasil lá embaixo.

E aqui, um detalhe: esse foi um lance bastante semelhante àquele no qual o Japão sofreu o segundo gol, que deu a classificação aos belgas no último minuto de jogo. Só que, em vez de puxar o contra-ataque, De Bruyne foi quem recebeu a bola. E fez um golaço.

Será que na imprensa esportiva vão falar que o Brasil tem um futebol ingênuo também, como falaram do Japão?

Outra coisa: será que vamos encontrar quem vá botar a culpa na arbitragem? No VAR? Aliás, é bom lembrar aqui que a Bélgica já fez um mata-mata com o Brasil, em 2002, quando foi bastante prejudicada por gol de Wilmots inexplicavelmente anulado e que a poria à frente do placar. Eles foram desclassificados. O Brasil foi penta. Merecidamente penta.

No segundo tempo, o que fez a Bélgica? Pegou o resultado e colocou debaixo do braço. Jogou com o tempo e o desespero do Brasil. Neymar muito mal, Phillipe Coutinho, idem; sobrava muito pouco. E o gol saiu muito tarde. Fernandinho não foi bem, fez um gol contra… mas Paulinho foi pior. De quem vão lembrar no Brasil? Do bode Fernandinho.

Mas, então, o que fazer agora? O que se faz sempre no esporte de alto nível: reverenciar o adversário por seus méritos. Simplesmente é preciso descer do salto da arrogância e admitir: a Bélgica teve, neste jogo, um futebol melhor do que o nosso. E é só um jogo. Assim como foi só um jogo (jogaço!) aquele de 1982, com aquela fantástica geração brasileira de Zico, Sócrates e cia., e que a Itália mereceu muito ganhar.

Copa do Mundo é assim: perdeu, está fora. Não há pontos corridos para se recuperar, não há qualquer chance fora daqueles 90 ou 120 minutos + pênaltis. E Copa do Mundo é bom justamente por isso!

Somos pentacampeões. Único penta, como diz a musiquinha que fez sucesso entre os torcedores na Rússia. Somos respeitados no mundo inteiro por nosso futebol (infelizmente não por nossa educação, economia ou política).

Talvez precisemos aprender a respeitar o esporte. E aprender que lá fora tem gente que sabe jogar bola (e muito bem) também. Que nos diga (e disse) essa fantástica geração belga.

 

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.