Estava tudo indo muito bem. Oito vitórias em dez jogos, aproveitamento de 80%, coisa de campeão absoluto de qualquer competição. E o mais importante: o G-4 como realidade.

Aí vem uma derrota para o rival goiano. Pelos números, friamente, continua tudo muito bem: sete vitórias nos últimos dez jogos, desempenho de campeão da mesma forma.

victor ramos 12333 450x300 - Dois caminhos (um bom e um ruim) para assimilar o baque da derrota
Victor Ramos, na entrevista em que acabou se importando mais do que deveria com a declaração de um jogador adversário | Rosiron Rodrigues/Goiás EC

Racionalmente pensando, foi só um revés a mais, em um dia em que nada deu certo e que o treinador Ney Franco, grande responsável pelo crescimento da equipe, foi extremamente infeliz ao escalar (e queimar) Felipe Gedoz em vez de apostar num ascendente Rafinha. Preferiu se preocupar com o Vila em vez de armar o time para que eles, sim, se preocupassem com o Goiás, que de fato tem um conjunto tecnicamente superior.

A verdade é que, por mais preparo, profissionalismo e trabalho pré-jogo que tenha havido para o confronto de sábado, o Goiás entrou em campo se sentindo superior ao rival. A postura do próprio Ney Franco prova isso, ao testar uma mudança tática (passando de um 4-3-3 para um 4-4-2) numa partida assim. Erro fatal.

Um problema decorrente dessa derrota é que nunca se é racional quando se joga um clássico – daí não poder ser esse resultado considerado apenas um revés a mais. E, por mais que seja necessário olhar para a frente, está explícito que o time e a torcida sentiram o baque.

Mais do que isso, um problema ainda mais grave é que sábado já tem jogo. Um jogo apenas com o líder disparado da Série B. E o Fortaleza parece ter recuperado agora a força que teve antes da perda de nomes importantes do elenco.

O que se percebe é que o comportamento do próprio elenco mudou após o 3 a 0 de sábado. As palavras do zagueiro Victor Ramos na entrevista desta segunda-feira, respondendo as provocações de Alan Mineiro um tom acima, passaram recibo de que o golpe foi sentido.

Diante de tudo isso, não se sabe ainda de que forma se dará a assimilação do baque.

Há duas rotas: 1) o caminho da perda da confiança e a partir daí um descontrole psicológico com consequências ruins (exatamente aquilo para o que este Blog alertou aqui e aqui); e 2) o caminho da motivação adicional pelo acionamento do brio, conhecido popularmente como vergonha na cara.

Até sábado, será preciso pavimentar fortemente esse segundo caminho.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Está bem claro agora que Felipe Gedoz só pode jogar se Renato Cajá não puder. Por suas características como jogador e, mais ainda, pela falta de condições físicas para ajudar de forma eficiente na recomposição.

 * * * * *  O goleiro Marcos falhou claramente no primeiro gol do Vila; o volante Gilberto, também. O que não dá é para crucificar ambos a ponto de quererem tirá-los do time por conta disso. Fosse uma sequência ruim de partidas até seria o caso de pensar, mas Marcos, por exemplo, foi fundamental para garantir a vitória o Goiás sobre o Figueirense há duas semanas.

 * * * * *  Não é porque perdeu para o maior rival que o site do clube tenha de fazer de conta que não houve o jogo. Já é terça-feira de manhã e não há nada na página do Goiás Esporte Clube que indique ter havido uma partida sábado. O clássico e seu resultado foram completamente ignorados. É falta de profissionalismo e também outra forma de passar recibo. Por favor, o Verdão é muito maior do que isso.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.