Para muitos – inclusive muitos esmeraldinos – já são favas contadas: o Atlético é o campeão goiano de 2019 e a finalíssima deste domingo, às 16 horas, será apenas uma questão burocrática a se cumprir.

O Goiás fez por merecer esse desfavoritismo: depois de fazer um primeiro turno impecável, quase nada se aproveitou. A partir de então, o único time de Série B que venceu, entre os três que enfrentou, foi o Vila Nova, restabelecendo a velha freguesia.

Além disso, apenas claros sinais de retrocesso. As derrotas para o Atlético e para o CRB, além de resultados pouco ou nada convincentes contra os pequenos, serviram para jogar água no chope de quem esperava com brilho nos olhos um time pronto e firme para a disputa de uma Série A depois de quatro anos.

Fora isso, o torcedor sofreu com crises internas na diretoria (com a mais que lamentável saída de João Grego do marketing e o reacendimento da velha fogueira de vaidades serrinhista), com o caso Sidão (também muito mal gerenciado pelo clube) e com a falta de novidades táticas de Maurício Barbieri.

Tudo culminou com o desastroso placar do primeiro jogo da decisão.

O 3 a 0 foi exagerado diante do que houve nos 90 minutos, é verdade, mas sem dúvida o Goiás mereceu perder: jogadores mornos passando o tempo em campo, como se estivessem cumprindo uma formalidade e não disputando um título. Vergonhoso!

Nesse contexto, não há melhor resposta possível a esse quadro do que a venda antecipada de todos os ingressos colocados à venda: apesar da óbvia “ajuda” dos cambistas para cumprir a meta, a tendência é de que o Estádio Olímpico esteja mesmo lotado de esmeraldinos e esmeraldinas.

Obviamente, boa parte da galera está descrente. Mas, quem for, certamente estará lá porque ainda acredita no título. É esta a aposta: que a vontade dos torcedores pressione (nem vou usar a palavra “contagie”) os jogadores em campo.

A torcida esmeraldina é injustamente tachada por parte da imprensa como uma torcida relapsa, “fria”, “distante”, o que os números – esses, sim, válidos – nunca provaram. Este domingo será dia de mostrar que a torcida alviverde não é apenas vibrante, mas fundamental na história do clube.

É muito difícil que venha o título. Mas quantas coisas muito difíceis você já viu acontecer no futebol?

Se o título vier, ele terá uma bela mão da torcida. E a maior conquista não será o segundo penta goiano. Ele é importante, sim, mas a grande coisa será a autoestima readquirida para a disputa da Série A. É fazer bonito no Brasileirão o que realmente interessa.

Vivendo um domingo de cada vez, digamos agora: segura o fogo aí, Dragão!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Tudo depende do primeiro gol. Tudo vai ficar menos complicado se o Goiás marcar até os 15 minutos. Time no papel, para devolver a goleada, isso há. Mas é bom lembrar sempre: não dá para fazer o quarto gol sem fazer o primeiro.

 * * * * *  Não concordo com a saída de Sidão do gol agora. É uma medida que contrapõe ao senso de grupo e que insinua jogar nas costas do goleiro um insucesso no qual ele tem, mas que não é só dele.

 * * * * *  Aos jogadores, três palavras mágicas: foco, raça, coração!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.