Não que o futebol brasileiro seja uma Premier League, porque não é. Mas, para quem estava na Série B o ano passado, é um bálsamo poder enfrentar os times nacionais de ponta.

Essa sempre foi a rotina do Goiás, não a exceção. A Série A tem um nível de exigência que obriga o time a dar seu melhor sempre, se quiser sobreviver na elite nacional, algo que o Verdão conseguiu, na maioria das vezes.

E, depois de cinco jogos, com três vitórias, 9 pontos e a 6ª colocação, é preciso admitir que a troca no comando técnico, com a saída de Maurício Barbieri e a chegada de Claudinei Oliveira, foi um acerto.

Praticamente na hora em que ocorreu o anúncio, escrevi o texto que segue neste link. Também eu estava surpreso negativamente com a vinda do atual treinador, principalmente por este motivo, registrado naquele artigo:

E o que teria a ver o trabalho de Claudinei com o de Barbieri? Ou era para não “ter a ver” mesmo?

Realmente, o trabalho de Claudinei não tem nada a ver com o de Barbieri. Mas aí que está o ponto: caiu como uma luva para o elenco que temos.

Qual é a diferença? Vamos lá.

Nos primeiros jogos com Barbieri, a torcida se encantou com o amor do Goiás à posse de bola, com os toques curtos e triangulações. Coisa inspirada em time europeu de ponta e que parecia estar dando certo.

Só que o campeonato em disputa era o Goianão, não a Champions League. Essa hegemonia técnica, essa primazia de estar com a bola, tudo isso serve muito bem quando seu time tem os melhores jogadores possíveis da competição.

Como visto, não deu certo nem no Estadual, porque os adversários, notadamente o Atlético, souberam o antídoto para essa fórmula: fazer pressão e tomar a bola. O Goiás desmontou.

Veio Claudinei, e o que ele fez? Ora, fez o Goiás passar para o grupo oposto! Sua equipe não quer a bola, quer tomar a bola. É o que se chama hoje de time reativo – que é diferente de defensivo ou retrancado.

Nesse sentido, é muito interessante analisar a vitória sobre o Botafogo. Os primeiros 15 minutos esmeraldinos foram alucinantes: com as linhas adiantadas, os jogadores alviverdes sufocaram a saída de bola, não deixaram a zaga e o meio terem chance de ao menos levar ao chamado terceiro terço do campo.

O Goiás tomava a bola, até com certa facilidade, e então armava um bote rápido, aproveitando a velocidade e a agilidade de Michael (principalmente) e Leandro Barcia. Poderia ter sido mais fácil o jogo se, ainda no primeiro tempo, Júnior Brandão não tivesse perdido dois gols que matador não pode errar.

Claro que, no calor de Goiânia, não dá para manter a intensidade de enxame o tempo todo. E durante boa parte da etapa final a partida ficou bem morna.

No fim, o Goiás retomou as ações e foi premiado com o gol dos reservas: o belo cruzamento de Yago Felipe e a cabeçada certeira de Kayke.

O modo reativo de jogar nem sempre vence. Mas é o que o elenco esmeraldino dá conta. Mais do que isso: ele está apto a isso, por ser composto de uma maioria jovem e com energia suficiente para cumprir a tarefa.

Jogar como Barbieri queria é um sonho, todos gostaríamos de ver o Goiás mandando no jogo como dono da bola. Mas algo para poucos hoje no Brasil e na América do Sul. E mesmo esses poucos vão sofrer bastante, como o Grêmio está provando.

Por isso tudo, o que dá para falar é que, mesmo talvez não sendo esse o plano (já que procuraram treinadores de várias linhas), a diretoria foi feliz na escolha.

E a Claudinei Oliveira, que chegou hostilizado pela quebra de expectativas e aproveitou bem as pausas semanais para trabalhar seu esquema, duas palavras: desculpa, professor!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  E quem dizia que Michael não daria conta de jogar Série A, hein? Será que já mudaram de opinião?

 * * * * *  Em tempo, todos os pratas da casa estão muito bem neste início de Brasileirão, mas ninguém surpreende tão positivamente quanto Jefferson. Está irreconhecível.

 * * * * *  Um dos erros de Barbieri foi nunca ter tentado uma sequência jogando com Michael e Leandro Barcia juntos, como se isso fosse inviável, pois um seria reserva do outro. Esses cinco jogos mostraram que poderia dar muito certo, como está dando.

 * * * * *  A torcida esmeraldina tem mostrado sua força: mesmo com transmissão por TV aberta, mais de 15 mil foram ao Serra Dourada. Mais do que isso, cantaram o tempo todo. Parabéns!

 * * * * *  Foto que ilustra o texto é do querido Rosiron Rodrigues, um dos mais simpáticos profissionais da Serrinha.

 * * * * *  Cada um ganha do Botafogo do qual pode ganhar…

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.