As longas filas para fazer a carteirinha de sócio-torcedor, extensas como nunca tinha ocorrido para algo assim com o Goiás Esporte Clube, dizem muito sobre o jogo desta quarta-feira e mais ainda sobre o que ele traz de volta.

Quando, pouco antes das 21h30, o Verdão entrar em campo para enfrentar o Corinthians com as arquibancadas lotadas, vindo de uma sequência de excelente resultados e com uma nova perspectiva para o campeonato, vai estar de volta também uma antiga conhecida que há muito tempo não visitava o Serra Dourada: a atmosfera de Série A.

Claro, na competição o Goiás já enfrentou aqui São Paulo, Botafogo, Atlético Mineiro, Inter, Palmeiras, Fluminense e Cruzeiro, todos esses do tradicionalíssimo Top 12 (a gente sabe que o Athletico Paranaense – que também jogou e perdeu em Goiânia – hoje é mais time e mais clube que metade deles acima, mas deixa rolar a velha classificação).

Mas é que faltava voltar a autoestima esmeraldina. Aquela verdade de fé ao gritar:

“A-ha, u-hu!
o Serra Dourada é nosso!”

Até aqui, estivemos na Série A de corpo, mas não de espírito. Tudo isso fruto de um pensamento pequeno da gestão, que havia gerado com isso um time burocrático e sem atrativos, que capengava em campo, despertava alta desconfiança e fazia a torcida olhar para baixo mesmo quando estava na primeira metade da tabela. E, para colocar a cereja no bolo, os dois trágicos 6 a 1 do percurso.

E, veja como é o costume, boa parte dos esmeraldinos ainda faz isso mesmo estando a 5 pontos da faixa da Libertadores e a 11 pontos da zona de rebaixamento!

São jogos como o desta quarta que podem mudar de vez esse viés. Um grande jogo contra o Corinthians não passa impune – ainda que hoje a qualidade técnica do adversário seja menor do que o símbolo/a mística que desperta.

E não há momento melhor. Ainda que estejam em 4º lugar na classificação, os paulistas se sentem a própria vaca na árvore: estão lá cima, não sabem como, mas têm certeza de que vão cair.

E quem disse isso, é de pasmar até, foi o próprio treinador, Fábio Carille. Uma declaração dada após a derrota por 1 a 0 para o São Paulo, domingo, mas que continua repercutindo.

Só o meio da boleiragem sabe realmente que consequências tal exposição – inclusive do próprio elenco – pode gerar dentro de campo. Uma rebelião branca contra o técnico é um dos cenários possíveis. Afinal, eles vão querer correr por alguém que não parece lhes dar tanto valor assim? E, mais do que isso, alguém que expõe o que deveria ser uma “resenha de vestiário” dessa forma?

Diante desse cenário, se o Goiás entrar focado e determinado, e jogar ao mesmo tempo com frieza e firmeza, a chance de uma vitória não é pequena.

Resumindo: basta fazer o que sempre fez quando “vestia” a Série A como uma segunda pele. Vai lá e joga, Verdão!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Não há como questionar a tática da Serrinha em elevar o valor do ingresso para o jogo contra o Corinthians. Além de ser o uso da principal lei do mercado (oferta x demanda), foi a oportunidade de fidelizar a torcida. Resultado: o plano Sou Verdão já tem praticamente 10 mil sócios e isso vai aumentar a média nas arquibancadas pelo restante do Brasileiro.

 * * * * *  Sobre o jogo contra o CSA: um bom primeiro tempo, em que o Goiás poderia ter feito mais de um gol; um segundo tempo ruim, em que não sofreu o empate por conta de Tadeu e da sorte. Precisa jogar mais, bem mais, para ganhar do Corinthians.

* * * * *  A imagem que ilustra este post é do memorável 3 x 2 sobre o Corinthians de Tévez, quando, já garantido na Libertadores do ano seguinte, o Goiás fez o adversário ganhar o título de campeão brasileiro de 2005 com um certo sabor amargo. Na foto de Marcelo Ferrelli (Gazeta Press), Paulo Baier arremata no gol de Fábio Costa para abrir o placar. Os paulistas fariam 2 a 1 e tomariam a revirada, com gols de Souza e Romerito. Velhos tempos que a gente espera que voltem.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.