Tida pelo presidente Jair Bolsonaro como a solução para a pandemia de covid-19, a hidroxicloroquina recebeu uma reprovação de peso nos Estados Unidos. Foi o maior estudo feito até agora com a droga, aplicada com e sem o antibiótico azitromicina, em comparação a um grupo de pacientes que receberam o tratamento convencional.

O resultado foi desanimador: morreram mais pacientes quando a droga foi aplicada. O resultado está em reportagem publicada nesta terça-feira, 21/4, pelo portal estadunidense Politico. Abaixo, segue a íntegra da tradução da matéria para o português. Caso queira ver o original, em inglês, clique aqui.

Um medicamento contra a malária amplamente elogiado pelo presidente Donald Trump por tratar o novo coronavírus não mostrou benefício em uma grande análise de seu uso em hospitais de veteranos de guerra dos EUA.

Houve mais mortes entre aqueles que receberam hidroxicloroquina em relação ao tratamento padrão, relataram os pesquisadores. O estudo em todo o País não foi um experimento tão rigoroso, mas, com 368 pacientes, é o maior até agora da aplicação de hidroxicloroquina – com ou sem o antibiótico azitromicina – para covid-19. A doença matou mais de 171 mil pessoas até esta terça-feira, 21/4.

O estudo foi publicado em um site on-line para pesquisadores e foi submetido ao New England Journal of Medicine, mas não foi revisado por outros cientistas. Subsídios dos Institutos Nacionais de Saúde e da Universidade da Virgínia pagaram pelo trabalho.

Os pesquisadores analisaram registros médicos de 368 veteranos do sexo masculino hospitalizados com infecção confirmada por coronavírus nos centros médicos da Veterans Health Administration e que morreram ou tiveram alta até 11 de abril.

Cerca de 28% dos que receberam hidroxicloroquina mais os cuidados habituais morreram, contra 11% daqueles que receberam apenas os cuidados de rotina. Cerca de 22% dos que receberam o medicamento mais azitromicina também morreram, mas a diferença entre esse grupo e os cuidados habituais não foi considerada grande o suficiente para descartar outros fatores que poderiam ter afetado a sobrevida.

A hidroxicloroquina também não fez diferença na necessidade de uma máquina respiratória.

Os pesquisadores não acompanharam os efeitos colaterais, mas há indícios de que a hidroxicloroquina pode ter danificado outros órgãos. Sabe-se que a droga tem efeitos colaterais potencialmente graves, incluindo a alteração dos batimentos cardíacos de uma maneira que pode levar à morte súbita.

No início deste mês, cientistas no Brasil interromperam parte de um estudo com hidroxicloroquina após o desenvolvimento de problemas no ritmo cardíaco em um quarto das pessoas, devido à maior das duas doses testadas.

Muitos médicos têm desconfiado da droga.

Na Universidade de Wisconsin, Madison, “acho que estamos todos bastante desapontados” com o que foi visto entre os poucos pacientes que experimentaram o medicamento, disse Nasia Safdar, diretora médica de controle e prevenção de infecções.

Os pacientes pediram pela droga logo depois que Trump começou a promover seu uso, “mas agora acho que as pessoas perceberam que não sabemos se funciona ou não” e são necessários mais estudos, disse Safdar, que não participou da análise do Estado da Virgínia.

O Instituto Nacional de Saúde (NIH) e outros órgãos têm testes mais rigorosos em andamento.


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