O mínimo dever de quem quer ser respeitado ao fazer uma análise, seja de que âmbito for, é usar seu conhecimento prévio, tomar os dados de que dispõe e dispô-los de acordo com o contexto.

Mas nem precisaria fazer isso com muita meticulosidade para deduzir que o Atlético é o favorito para o confronto deste domingo, no Estádio Olímpico, às 16 horas.

Vamos aos dados, então: no Goiano, o Atlético fez quatro jogos, ganhou três e perdeu um, para o líder Jaraguá. Fez 12 gols e sofreu 2. Na Copa do Brasil, vitória magra sobre o União Rondonópolis (MT) por 1 a 0. No total, aproveitamento de 80%, portanto, com saldo de 11 gols e três jogos sem sofrer nenhum.

E o Goiás? Sete jogos na temporada. No Estadual, cinco jogos, com três vitórias e dois empates. Na Copa do Brasil, vitória de 2 a 0 sobre o Fast Club (AM). Na Copa Sul-Americana, uma preocupante derrota por 1 a 0 para o paraguaio Sol de América. Aproveitamento de 66,67%, saldo de 4 gols e somente 2 de 7 jogos sem ter seu goleiro vazado.

Os dados, porém, não servem de base por si, apenas. É preciso verificar como está o desempenho de cada time em seus jogos, e um dos termômetros para isso é a satisfação do torcedor com aquilo que vê.

E quem está mais contente até o momento com sua equipe, o esmeraldino ou o atleticano? Sim, essa é bem fácil de responder.

Por último, apesar de não jogar em seu estádio (o Antônio Accioly está em reforma), o Atlético terá o mando de campo e apenas sua torcida presente. Conclusão: é favorito, sim.

Cristóvão Borges chegou há menos de um mês ao comando técnico do Atlético e parece já ter conseguido um padrão mínimo de jogo – ressalte-se que o time já havia começado muito bem encaixado, mesmo com o treinador interino Eduardo Souza.

Do lado do Goiás, Ney Franco se colocou numa posição complicada. Com a inconsistência do time neste início de ano, ele precisa provar que quem salvou a equipe do fracasso total no ano passado foi seu trabalho e não o brilho individual de Michael.

Para alguns, a saída do garoto-prodígio mostrou que o Verdão, na verdade, nunca tem padrão de jogo. A defesa frágil, com zagueiros batendo cabeça; o meio de campo sem nenhuma inspiração criativa e inseguro na proteção do setor defensivo; e o ataque sem regularidade nem formação definida.

Ambos, Goiás e Atlético, vão disputar a Série A daqui a menos de três meses. Novamente, do lado da Serrinha, há dúvidas sobre como a equipe vai chegar lá.

Por isso, o jogo de logo mais serve como um parâmetro. E, para o Goiás, uma eventual derrota importaria menos do que a maneira com que ela ocorresse.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Claro que o Goiás pode ganhar o jogo. Mas, para ser repetitivo: mais importante do que o resultado é o desempenho. Se o time de Ney Franco mostrar o que não mostrou até o momento, mesmo que o placar ao final não seja dos melhores para o lado verde, isso será animador. Mas, falando francamente, não parece ser a tendência.

 * * * * *  Por outro lado, se repetir a atuação apática e abaixo da crítica que teve contra o Sol de América, o Goiás pode pôr a barba de molho. Com aquele comportamento de jogo, é eliminação no jogo de volta (até pelo fato de ter defesa vulnerável e não ter feito gol fora de casa), eliminação contra o Santo André (que está voando baixo no Paulistão) na Copa do Brasil e alto risco de um bicampeonato pelos lados de Campinas.

 * * * * *  Em tempo: Rafael Vaz, Yago Felipe e Leandro Barcia estão fazendo falta. E o lateral Juan Pintado é a melhor das contratações até o momento.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.