Enquanto começo a escrever esse texto, me vem à cabeça uma memória que denuncia a idade, mas que também vai denunciar (ou não) a sua.

É a metáfora do portão do Roberto Carlos. Aquela música em que o cidadão volta para a casa e para as pessoas (e até para o cachorro) que havia deixado já fazia um tempo.

Depois de três temporadas no purgatório, o Goiás bate à porta do seu verdadeiro lar, a Série A. O primeiro encontro será neste domingo, às 19 horas, na principal casa do País do futebol, o Maracanã.

O anfitrião é um velho conhecido: o Fluminense, aquele do chocolate de 6 a 1 de 2003 para o time do Cuca ou da virada histórica de 5 a 3 em 2007. E quem se lembra muito bem da música do Roberto vai ter saudade daquele 3 a 0 no Serra nos idos de 1984, com show de Cacau. Pega essa:

A casa é a mesma, mas os tempos são outros. Infelizmente, como consequência da gestão imposta nos últimos anos, privilegiando o compadrio à competência, o time volta menor. Está em qualquer Top 4 de lista de mais ameaçados de rebaixamento. Em nenhum dos retornos anteriores à Série A (1995, 2000 e 2013), a coisa foi assim.

Por isso, ao mesmo tempo em que está feliz por voltar, a torcida não deixa de estar inconformada com o apequenamento do Goiás, do qual o anúncio de Claudinei Oliveira como novo treinador foi só mais um entre muitos e muitos sinais.

Mas o técnico não tem culpa. Muito ao contrário, ele tem é obrigação de provar que merece estar aqui e queimar a língua de todos.

Então, que Claudinei seja o novo Cuca, que Tadeu feche o gol como o Harlei dos bons tempos, que Michael encarne Araújo, que Geovane vire clone de Josué e Giovanni Augusto, o de Luvanor. E que 2019 repita 2005.

A profissão do torcedor é a esperança. É hora de recolher a raiva e soltar o grito de incentivo da garganta.

Você voltou para as coisas que deixou, Goiás. Voltou porque aqui é seu lugar. Agora só falta voltar a ser o Verdão que você era antes.

Porque, se for “aquele” Verdão, aquele chamado de Avião Verde, agora é pra ficar.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Escalação para começar a Série A 2019: Tadeu; Kevin, Deivid Duarte, Yago e Jefferson; Geovane, Léo Sena e Giovanni Augusto; Barcia, Kayke e Michael. Sidão, Rafael Vaz e Marlone barrados.

 * * * * *  Com Léo Sena de segundo volante e apenas três no meio, não se pode dizer de forma alguma que seja uma formação defensiva. Talvez fosse melhor ter o miolo do time mais preenchido, especialmente contra um time como o Fluminense, que vai querer a posse da bola o tempo todo. Um jogo que promete muitos gols.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.