Após sete dias internado por conta do agravamento de seu quadro de Covid-19, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, deixou o hospital neste domingo (12/4) e fez uma declaração enfática e emocionante em defesa do NHS, a sigla para o National Health Service – ou, em português, o Serviço Nacional de Saúde.

O NHS foi a inspiração para a criação, no Brasil, do Sistema Único de Saúde (SUS), hoje considerado mundo afora uma referência em política pública na área de saúde.

Boris Johnson foi especialmente grato a dois enfermeiros, a neozelandesa Jenny e o português Luis, que ficaram a seu lado durante o período mais crucial de sua internação, em que chegou a estar na UTI.

Veja abaixo o vídeo em que ele defende o sistema público de saúde como “patrimônio nacional” dos britânicos e reitera a necessidade de toda a população ajudar a vencer a batalha contra o coronavírus. Como? Ficando em casa.

Íntegra do pronunciamento de Boris Johnson

“Boa noite. Eu hoje deixei o hospital depois de uma semana na qual, sem dúvida, o NHS [National Health Service, ou Serviço Nacional de Saúde, em português] salvou minha vida. É difícil encontrar palavras para expressar minha dívida [com o NHS]. Mas antes de falar disso, eu quero agradecer cada um, em todo o Reino Unido, pelo esforço e sacrifício que vocês fizeram e estão fazendo.

Quando o sol está lá fora e as crianças em casa, quando a natureza parece estar na sua forma mais exuberante e as paisagens estão tão convidativas, eu posso imaginar o quão duro é seguir as orientações sobre distanciamento social. Eu agradeço porque tantos milhões de pessoas por este país têm feito a coisa certa. Milhões atravessando a dureza do auto-isolamento com obstinação, pacientemente, e com tantos pensamentos e cuidados pelos outros como para si mesmos.

Eu quero dizer que é Domingo de Páscoa e eu acredito que o esforço de vocês está valendo a pena – e está provando mais a cada dia esse valor. Porque, embora nós sintamos o luto todo dia por aqueles que se foram de nós em tamanha quantidade, e embora a luta esteja longe de acabar, nós estamos agora progredindo positivamente nesta inacreditável batalha nacional contra o coronavírus.

Uma luta que não escolhemos, contra um inimigo que ainda não conhecemos inteiramente. Nós estamos fazendo progressos nesta luta porque o povo britânico formou um escudo humano em torno do maior patrimônio nacional deste país: nosso Serviço Nacional de Saúde.

Nós entendemos e decidimos que, se juntos nós pudéssemos manter nosso NHS a salvo, se nós pudéssemos evitar que nosso NHS chegasse ao colapso, nós então não poderíamos ser vencidos e este país se reergueria e superaria este desafio, como já superamos tantos desafios no passado.

Nos últimos sete dias, eu obviamente vi como está grande a pressão sobre o NHS. E eu vi a coragem individual, não apenas dos médicos e das enfermeiras, mas de cada um, das pessoas da limpeza, da cozinha, dos trabalhadores de cuidados médicos de cada setor – fisioterapeutas, radiologistas, farmacêuticos -, os quais continuam indo trabalhar, continuam se colocando à mercê do perigo, se arriscando com esse vírus mortal.
É graças a essa coragem, essa devoção, esse dever e esse amor que nosso NHS tem sido invencível.

E quero estender meus agradecimentos pessoais para os médicos absolutamente brilhantes, líderes em suas áreas, homens e mulheres – muitos deles por acaso se chamavam Nick -, que tomaram decisões cruciais alguns dias atrás e pelos quais eu terei gratidão pelo resto da vida.

Eu quero agradecer os muitos enfermeiros, homens e mulheres, dos quais os cuidados foram incríveis. Vou esquecer alguns nomes, então, por favor me perdoem, mas eu gostaria de agradecer Po Ling, e Shannon, e Emily, e Angel, e Conni, e Becky, e Rachael, e Nicky, e Ann.

E eu espero que eles não se importem por eu mencionar, em particular, dois enfermeiros que ficaram ao lado do meu leito por 48 horas, quando as coisas poderiam ter tomado outro rumo. Elas são Jenny, da Nova Zelândia – de Invercargill, na Ilha do Sul, para ser exato; e Luís, de Portugal, de uma cidade nos arredores do Porto.

E a razão pela qual meu corpo enfim começou a conseguir oxigênio suficiente foi que, a cada segundo, eles estiveram me monitorando, analisando e tomando conta de mim, fazendo os procedimentos que eu precisava.

É por isso que eu também sei que, por todo este país, 24 horas por dia, a cada segundo, há centenas de milhares de membros do NHS agindo com o mesmo cuidado,
carinho e precisão que Jenny e Luis. É por isso que nós vamos derrotar esse coronavírus – e derrotar juntos.

Nós vamos vencer porque nosso NHS é o coração pulsante deste país. Ele é o que há de melhor neste país, é invencível e é movido por amor.

Então, obrigado, NHS, por mim e por todos nós. E vamos nos lembrar de seguir as orientações de distanciamento social.

Fique em casa, proteja o NHS e salve vidas.

Obrigado. Feliz Páscoa!”


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