Foram três anos, três longos anos. Parecia até mesmo que o Goiás de quatro décadas de Campeonato Brasileiro tinha se contentado com a segunda divisão e, pior, já começava a achar a Terceirona atraente.

A artilharia improvável de Alex Silva em Barueri, no último sábado, mudou finalmente esse quadro sombrio e tirou um  peso enorme das costas da torcida esmeraldina: estamos de volta, Série A!

Não foi uma campanha brilhante em vista das glórias da camisa alviverde. Ao contrário, um recorde de jogos iniciais sem vencer, derrotas vergonhosas para o arquirrival e a incrível façanha negativa de ter sido a única equipe a perder dois jogos para o lanterna absoluto, o Boa Esporte.

Após a primeira delas, aliás, já no terceiro jogo sob o comando de Ney Franco, parecia que o fundo do poço enfim tinha sido alcançado e que a Série C era uma realidade irrefutável. Afinal, chegávamos ali a sete jogos no campeonato sem vitória, mesmo tendo jogado quatro no Serra Dourada.

Não foi assim, graças aos céus, ao peso do manto e a uma decisão acertadíssima da diretoria: passar a mandar os jogos no Estádio Olímpico.

A partida seguinte à tragicomédia frente ao Boa foi a primeira vitória, sobre o Atlético, que mandava o jogo no Olímpico. Depois, o Goiás perdeu (jogando bem) para a Ponte Preta em Campinas e a partida seguinte foi contra o Paysandu – no local da única vitória até então, a pedido de Ney Franco e dos jogadores. Mais três pontos!

Antes deste sábado de comemoração, o Goiás só voltaria ao Serra Dourada no jogo seguinte àquele, por conta de um evento governamental no estádio talismã. Deu ruim: empate com o Juventude por 1 a 1 e a agonia continuava, lá no fundo da tabela.

No Olímpico, apesar dos muitos desconfortos, o time rendia bem e a torcida sabia disso. No fim da Série B, a mística foi perdendo a força, assim como ocorria com o desempenho do elenco. Empates com Londrina e Ponte e a derrota vexatória para o Avaí, seguida do magro e essencial 1 a 0 sobre o Sampaio Corrêa foram a deixa: o Estádio da Sorte tinha cumprido sua missão para nós.

Como canta Gilberto Gil em Back in Bahia, contra o Brasil de Pelotas (RS) neste sábado, às 17 horas, no velho Serra, nós nos sentiremos como se ter ido fosse necessário para voltar tanto mais vivos.

Não teria momento melhor para voltar a vencer no palco maior. Vai pra cima deles, Goiás!

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Ingressos esgotados com um dia de antecedência mostram como os esmeraldinos estavam ansiosos pelo retorno à elite do futebol brasileiro. A doação de alimentos é uma boa paga pela “graça”, além do ato fundamental de solidariedade.

 * * * * *  Seria interessante vingar o coirmão Vila Nova, com uma vitória convincente, vulgo goleada, sobre o Xavante, não? Não. O Goiás precisa ganhar bonito, mas para presentear sua torcida sofrida. Todos esperamos um bonito espetáculo.

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS




Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.