Quem não conhece aquela sábia máxima segundo a qual nunca se deve ficar nervoso com um apelido, porque é pior: a alcunha vai pegar pra valer!

O superministro da Economia, Paulo Guedes, parece não ter entendido bem essa norma. Na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados que discutia a reforma da Previdência, ele ficou transtornado quando o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que Guedes estava sendo “tigrão” com os aposentados e professores e “tchutchuca” com banqueiros e demais poderosos.

Foi o que bastou para que o ministro ficasse completamente irado e respondesse:

“Tchutchuca é a mãe, é a vó!”

Veja o vídeo:

O desconforto foi tal que a sessão teve de ser encerrada. A confusão continuou na saída do recinto, com agressões verbais de parte a parte, entre parlamentares pró e contra a reforma e seus assessores.

“Tchutchuca” e “tigrão” foram expressões popularizadas no meio do funk: a primeira se refere às garotas bonitas que dançam nos bailes; o tigrão é como fica conhecido o rapaz que as assedia de forma irresistível. Em outras palavras, uma relação entre o macho alfa e sua conquista.

As expressões foram popularizadas no início da década passada: o Bonde do Tigrão ganhou as rádios com os hits Cerol na Mão e… Tchutchuca. O ano era 2001.

A possível explicação pelo acesso de fúria do ministro veio por meio de uma publicação do jornalista e humorista Tutty Vasques no Twitter: Tchutchuca era como Paulo Guedes era conhecido entre os colegas na Universidade de Chicago (EUA).

tutty vasques 460x300 - Apelou, perdeu: por que Paulo Guedes ficou irado ao ser chamado de "Tchutchuca"?
Em publicação no Twitter, jornalista Tutty Vasques explica a origem do desconforto do ministro ao ouvir a palavra “tchutchuca” | Reprodução

Pérsio Arida e Pedro Malan são economistas renomados. Ambos foram presidentes do Banco Central. Malan também foi o ministro da Fazenda durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Pérsio dirigiu ainda o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com Itamar Franco.

Mais um “barraco” para o novo governo. Não que não houvessem em outras gestões, mas a turma que está no Planalto desde janeiro vem batendo todos os recordes em matéria de constrangimento em relação ao que costuma ser chamado de “liturgia do cargo”.

Questão de estilo? Pode ser. Na alardeada “nova política”, tem acontecido tanta coisa espantosa que isso pode ser, de fato, a etiqueta dos tempos atuais.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.