Na segunda-feira, 1º de abril, a comunidade da Universidade Federal de Goiás (UFG) ficou em estado de alerta por conta de um e-mail recebido no começo da madrugada, em que o autor avisava que iria entrar atirando em determinados prédios da instituição.

Na publicação, o autor alertava que iria revidar uma suposta agressão a um “membro do movimento integralista” que teria ocorrido na manifestação pró-regime militar ocorrida no dia anterior, 31 de março, quando completou 55 anos o golpe de 1964 que iniciou o período ditatorial de mais de duas décadas no Brasil.

A partir da ciência do caso, a direção da universidade passou a apurar a situação e organizar suas estruturas e recursos, de modo a fazer um contrabalanço entre a prudência necessária e não gerar pânico na comunidade de servidores e alunos e suas famílias – certamente, um dos objetivos do autor do comunicado.

Com o andamento da investigação e a busca de mais informações, uma descoberta interessante: o e-mail, na verdade, é – para não dizer cópia – uma adaptação bem próxima ao que a Universidade de São Paulo (USP) recebeu em dezembro de 2017.

ameaça USP - Ameaça de atentado à UFG é "cópia" de e-mail enviado à USP em 2017
E-mail enviado à USP em dezembro de 2017: muitas semelhanças com a ameaça à UFG | Reprodução

O título de ambas as publicações (“Estou contando as balas”) é o mesmo, o que já dá margem para a suspeita de um inusitado plágio.

Entre as demais coincidências de ambos os textos estão: a reação a uma agressão a alguém do movimento integralista (de extrema-direita); o dia da semana escolhido para o ato (“vou aparecer na segunda-feira”); o número de armas (duas); a referência ao lugar de aquisição das mesmas; o alvo – pessoas negras, gays e de esquerda; a forma de suicídio após cometer o crime; a crença de encontrar 70 virgens no paraíso; e o juramento de fidelidade ao Estado Islâmico.

Apesar de a correspondência ter sido enviada no Dia da Mentira – como a data de 1º de abril é conhecida no Brasil –, a UFG tomou as providências, segue com segurança em estado de alerta e o caso continua sob investigação da Polícia Federal.

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