Quando um time “foge da curva”, como tem acontecido com o Goiás desde o início de sua ascensão na Série B, a imprensa e a própria torcida tendem a encontrar um nome para resumir o fenômeno e dar a ele a grande parte do mérito (assim como muitas vezes ocorre com os fracassos também).

Não existe nenhum nome maior e mais responsável pela virada positiva do que Ney Franco. Não fosse ele, nem Michael nem qualquer outro jogador teria hoje a visibilidade de que dispõem, inclusive para chamar a atenção de grandes clubes da Série A e mesmo do exterior.

E é por causa dele, principalmente, que confio em um Goiás muito interessante para o clássico contra o Vila Nova, às 16h30, num Serra Dourada de torcida única para o lado de lá.

gol vila 3 a 1 525x300 - A pergunta é: o que Ney Franco vai aprontar para cima do Vila Nova?
Reis comemora o gol que abriu o placar para o Vila Nova no primeiro turno | Douglas Monteiro

O cenário é o oposto ao que houve no primeiro turno. Eram os esmeraldinos que ocupavam as arquibancadas em um momento totalmente favorável ao adversário, que vinha de três vitórias e muita motivação.

O Verde estava totalmente abalado, seja moralmente, fisicamente ou taticamente. Hélio dos Anjos, com a cabeça na guilhotina; e o amontoado de jogadores só era considerado um time porque eram 11 em campo.

Agora a pressão está com eles e a única diferença é que Hemerson Maria parece ainda ter o elenco consigo, conforme foi a manifestação dos próprios atletas nesta semana.

Mas, para encarar o Goiás, o momento do Vila – caindo literalmente pela tabela e ficando longe do G-4 – é muito delicado mesmo jogando em casa (ou mais ainda até por isso), com sua torcida esperando impaciente pela reação. Os vilanovenses que forem ao estádio não vão aceitar perder, não mesmo.

Se vier mais um empate, um resultado péssimo para buscar os concorrentes à frente, isso talvez possa salvar o emprego do treinador; uma derrota será o fim da linha para ele e jogará a equipe numa incógnita: sem Hemerson, o ataque vilanovense vai melhorar ou a defesa vai piorar?

Falo tudo isso para tentar entender como Ney Franco está pensando o Goiás para a partida. Não é um jogo comum, tanto por ser um clássico como pelo fato de o rival ter uma das melhores defesas e a maior quantidade jogos sem gols da Série B. É preciso ter todo esse drama que afeta o oponente para saber a melhor maneira de explorar a situação.

Então, chego ao momento se eu fosse ele. Então, se fosse Ney Franco, eu trataria de atuar à espera do desespero do adversário. A obrigação da vitória não é nossa, mas ela virá naturalmente por conta de tudo o que hoje o Goiás é como time, como conjunto, como engrenagem que vem funcionando perfeitamente.

E é justamente pelo fato de ter tantas dificuldades para mostrar o mesmo futebol do início da competição que o Vila precisa provar mais do que nunca que ainda o tem. Esse é o perigo – para eles: vão ter de sair da zona de conforto tático e se expor como não costumam

A defesa vilanovense é difícil de ser vencida, mas mostrou brechas demais no último jogo, contra o Sampaio Correa. Se repetir isso, não tenha dúvida: o Goiás, especialmente com Michael inspirado como está, vai chegar fácil à área e, provavelmente, ao gol.

Não poderiam ser melhores as condições para devolver a derrota do primeiro turno. Vivemos a inversão dos papéis em nosso favor. Ao Goiás, basta jogar o que vem jogando; para o Vila, há a necessidade vital e complicada de mudar radicalmente o comportamento.

Por fim, a constatação: tudo pode acontecer no futebol e ainda mais em um clássico, mas tudo conspira para o lado verde. Até os torcedores mais fanáticos do clube do Setor Universitário sabem disso.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Deverá ser um sábado de muitos Quem é Quem na imprensa esportiva. É algo divertido, mas meio inútil. No papel, poderia dar 11 a 0 para o Vila Nova. O problema é que esse tipo de artifício não consegue medir a equipe como um todo. E equipe por equipe, o Goiás é o melhor time da Série B já faz algum tempo.

 * * * * *  Quem se aventurar a ir ao Serra Dourada que faça tudo de forma muito sensata: que não vá sozinho e de preferência esteja acompanhado por amigos. E que, de modo algum, se exalte. A violência e a intolerância, infelizmente, andam cada vez mais comuns.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.