A Abin é o serviço de inteligência do governo federal. Colhe informações de interesse estratégico e militar e as leva à Presidência.

Em 24 de março, o site The Intercept Brasil divulgou que a Abin teria avisado o presidente de que morreriam 5,5 mil brasileiros de covid-19 até 6 de abril se não fossem implantadas medidas de isolamento social pelo País.

Naquela mesma noite, Bolsonaro foi à TV para o famoso pronunciamento do “histórico de atleta” e da “gripezinha”.

Começou abril, terminou a primeira semana e os bolsonaristas lincharam o veículo de comunicação.

Ora, a informação era do governo – mais ainda, do “serviço secreto” do governo. A Abin, comandada exatamente por Alexandre Ramagem, tinha “errado”, mas os crucificados tinham de ser os petistas/comunistas do Intercept?

Claro, as aspas do parágrafo anterior foram para destacar que a Abin não errou hora alguma. Já que o “atleta” da faixa presidencial preferiu não agir, os governadores implantaram as medidas e conseguiram atrasar, em algumas semanas, o avanço da doença e das vítimas.

Agora, abril termina / maio começa com 6 mil mortes, fora a alta subnotificação. E a curva ainda está subindo. Parece que o vírus não estava “indo embora”, certo? E daí? Não sou coveiro…

Chegou a hora de os bolsonaristas pararem com as mentiras na redes sociais, inventando histórias de caixões vazios e de atestados falsificados para inchar os dados da pandemia. Pelo contrário, a “pandemia oficial” é filhote perto da pandemia real. Com a escalada de cadáveres, está claro que não haveria mais lugar pra isso nem se a terra fosse plana.

Que os fanfarrões de verde e amarelo cantadores de hino sejam agora patriotas de verdade e não de micareta domingueira, pelo menos uma vez na vida.

Porque neste maio que começa a questão de vida ou morte mesmo.


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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.