Primeiramente, é preciso me desculpar por citar o nome do atual presidente no título deste texto. Não é nada pessoal: no lugar dele poderia estar qualquer dirigente esmeraldino, mas ele é o atual responsável pelo principal cargo do clube.

Outros na mesma função, ou até fora dela, já disseram a mesma coisa de que vamos falar aqui hoje. É o que chamamos de serrinhismo. E é por conta disso que estamos onde estamos no futebol.

A questão é que, dias depois do vexame (acidental, em minha opinião, diga-se) contra o Flamengo, aconteceu uma entrevista desastrosa de Marcelo Almeida à Rádio Sagres 730 que caiu como uma cereja no bolo amargo da derrota.

Foram 40 minutos de queixas e lamentos, partindo do enredo do prejuízo mensal de R$ 2 milhões que, segundo ele, o Goiás vem tendo na temporada. Serão R$ 24 milhões até dezembro, mas o presidente ressalta que o clube não está endividado. É bom lembrar que Sérgio Rassi, quando renunciou há dois anos, teria deixado R$ 40 milhões em caixa.

Atacou a diferença para o patamar que ganham Palmeiras, Flamengo e cia., mas achou ruim quando a conversa avançou para o lado do Athletico Paranaense, a partir de uma intervenção do comentarista José Carlos Lopes.

Recordando: o Furacão era nada mais que um “Goiás do Paraná” em 1994, quando ambos disputaram a Série B – mas só o Goiás subiu: não tinha estádio, não tinha títulos importantes, não tinha respeito em nível nacional.

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Arena da Baixada, em jogo da Copa do Mundo de 2014| Mauricio Mano / Arquivo Clube Atlético Parananense

Nesse momento da entrevista, o presidente esmeraldino elogiou seu colega Mário Sérgio Petraglia, uma espécie de Hailé Pinheiro do Furacão, pela extrema “audácia” que usou para transformar o Athletico. Admitiu que falta ao Goiás ser mais “audacioso” e citou as conquistas do clube citado: a Arena da Baixada (usada na Copa do Mundo), a independência do dinheiro da Globo, o uso do Estadual para colocar seu time de baixo, o número de jogadores da base hospedados pelo clube (cinco vezes mais que a Serrinha comporta) e a quantidade de revelações e negociações de seus atletas.

Então, o apresentador Édson Júnior, de forma precisa, colocou Marcelo em xeque: “O sr. falou que falta audácia ao Goiás. O sr. é o presidente. Por que o sr. não é audacioso? O Hailé não deixa?”

Marcelo perdeu a graça na hora: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Essa discussão estava indo bem, mas assim não, dessa forma não funciona”. E disse que “ser audacioso, às vezes, é dever”.

Eu gostaria que ele tivesse dito a palavra dever como substantivo, mas óbvio que era verbo no infinitivo. O Goiás tem medo de dever por causa da audácia, embora tivesse de cumprir o dever da audácia para sair da atual prateleira no cenário nacional. Ao não fazer isso, resta ficar por aí lamentando a má sorte e o dinheiro que “sobra” para os outros.

O que até então era motivo de elogios rasgados ao Athletico repentinamente virou crítica: “Eles construíram uma arena, mas agora devem mais de R$ 400 milhões no mercado. O Goiás deve zero.”

Sim, o Goiás deve zero.

E tem zero de arena, zero de Campeonatos Brasileiros, zero de Sul-Americanas, zero de finais de Libertadores. O Athletico tem tudo isso construído desde aquele 1994. Quem é que está devendo a seu torcedor, o Goiás ou o Athletico?

Por fim, Marcelo inventou o termo “audácia comedida”. E arrematou: “Às vezes para conquistar alguma coisa você tem de ser audacioso. Se precisar dessa audácia, eu não sirvo.”

Por isso tudo, ao ouvir esse tipo de posicionamento de quem dirige seu clube, é que temos de continuar a dizer, parodiando o grande Euclides da Cunha: o esmeraldino é antes de tudo um forte, para continuar esmeraldino.

E ainda reclamam da torcida, hein…

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Rafael Moura disse que recebeu uma proposta seis vezes maior do que a do Goiás. E do Vila Nova(!). Mas, mesmo assim, resolveu vir pra Serrinha. Das duas, uma: ou 1) está consolidado totalmente com suas finanças e pode rasgar dinheiro; ou 2) há algum(a) exagero/hipérbole/equívoco/fantasia/zoeira nessa declaração.

 * * * * *  Renatinho é a escolha de Claudinei Oliveira para substituir o suspenso Leandro Barcia no ataque. Dentro do que há no elenco, é a melhor opção.

 * * * * *  Tudo o que não pode acontecer domingo, na Ressacada, é uma nova derrota, desta vez para o lanterna Avaí. Sem essa de viagrar, Verdão!

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.