Mas por que já afirmar que um simples jogo inicial de Copa pode já ter feito tanta diferença a favor de Cristiano Ronaldo na escolha? Não é difícil explicar

Ele pega a bola, ajeita e espera a autorização do árbitro. Respira profundamente, chegando a levantar os ombros, como quem quer alcançar o auge da concentração. Ouve o apito. Ainda imóvel, puxa o ar e o solta, de novo de uma forma característica. Pareço voltar aos anos 80 e ver a Hortência diante de um lance livre (veja no fim do vídeo). O chute sai por cima da barreira. Gerard Piqué e seus companheiros pulam o máximo que podem, em vão. A bola passa sobre suas cabeças. Segue seu curso até tocar as redes, diante de um De Gea sem ação.

Aquele jogador acabava de fazer ali, já nos finalmentes de um dos encontros mais esperados da 1ª fase da Copa, seu terceiro gol na partida. Do outro lado, a Espanha via a vitória, que vinha tão suada, então escapar. Agora no placar: Fúria, 3… Cristiano Ronaldo 3, também.

Cristiano Ronaldo comemora 241x300 - 3 gols contra a Espanha? CR7 já pode reservar o espaço da 6ª Bola de Ouro na prateleira
Cristiano Ronaldo comemora gol contra a Espanha: cena repetida três vezes na estreia de Portugal | Reprodução

Cristiano Ronaldo é um monstro. É bem verdade que não chega aos pés do conjunto humano de habilidades que é Lionel Messi. Da mesma forma, depois do resultado de estreia na Copa, é difícil não pensar que, apesar de ser tecnicamente menor, tem tudo para superar o argentino no número de Bolas de Ouro como melhor jogador do mundo.

Não é exagero algum afirmar que a seleção portuguesa é Cristiano + 10. Alguns podem dizer que vale o mesmo para Messi na Argentina, mas este tem companheiros mais talentosos – Dybala, Aguero, Di Maria entre eles – do que qualquer outro lusitano.

Mas por que já afirmar que um simples jogo inicial de Copa pode já ter feito tanta diferença em uma escolha assim, em favor do Cristiano Ronaldo? Não é difícil explicar.

Messi conquistou dois títulos na temporada: Copa do Rei e Campeonato Espanhol. Títulos sobre o Real Madrid do CR7. Este ganhou “apenas” um: a Liga dos Campeões – daí as aspas –, sobre o Barcelona do rival na disputa e sobre todos os outros grandes times da Europa. Se não foi nada brilhante na final, colaborou bastante para que os madrilenhos nela chegassem.

O empate com a Espanha em um jogaço no qual Cristiano Ronaldo foi fundamental para a construção do placar vai fazer com que o cobiçado 1º lugar no Grupo B – posto que levará ao enfrentamento do 2º colocado do Grupo A (que será Rússia ou Egito) nas oitavas-de-final – dependa de quem protagonizar mais goleadas sobre as frágeis seleções do Marrocos e Irã. O vice-líder da chave muito provavelmente terá de encarar o Uruguai logo em seguida.

Ou seja, os três gols do CR7 nesta tarde podem ter aberto caminho, ao mesmo tempo, para que os portugueses possam avançar até as quartas-de-final e para que ele próprio consolide uma artilharia insuperável nesta Copa do Mundo ainda nos quatro primeiros jogos. Ou alguém acha que Cristiano Ronaldo é um sujeito que vá deixar barato para as defesas tão limitadas que enfrentará?

Ganhador da principal competição de clubes do planeta, astro único de um selecionado que chegou mais longe do que o previsto na Copa do Mundo e, de quebra, artilheiro dela. Não, de quebra mesmo foi o gol fantástico de bicicleta numa Juventus de Turim com Buffon de goleiro. Como tirar a 6ª Bola de Ouro nessas condições?

Tem como: basta Messi causar como Maradona em 1986 ou Neymar ser isso tudo e um pouco mais pela seleção brasileira. Fora isso, o português marrento vai ter de ser engolido novamente. E, diga-se, com todo o merecimento, ainda que seja bem menos habilidoso do que Romário, Ronaldo e Van Basten, entre outros camisas 9 da história do futebol.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.