O juiz apitou o fim do jogo e o senhor em pé ao meu lado, copo de cerveja na mão e óculos no rosto, em meio ao grupo que se amontoava ao lado da área reservada aos torcedores PNEs [portadores de necessidades especiais], já se lamentava:

“decisão com Pênaltis pra mim é igual à mulher chamar para discutir a relação, já vou com as pernas bambas”

Tudo bem, com seus cabelos grisalhos e suas mais de seis décadas de vida, ele poderia sentir o peso do momento. Ele ou qualquer um dos mais de 7 mil que estavam ali na arquibancada.

Quem não poderia tremer eram os cinco batedores. Brenner (pelo menos isso) e Geovane fizeram sua parte. Marlone, Rafael Vaz e Renatinho, não.

Muita coisa a falar sobre a partida. Primeiramente, que foi um jogo muito durocomo previmos no texto anterior deste Blog -, por vezes até violento por parte do CRB, especialmente no primeiro tempo. Mas quem está na chuva sabe que vai molhar.

Falar depois é bem mais cômodo, mas duas coisas já estavam bem claras durante o jogo. Maurício Barbieri não se ateve a elas. Erros de interpretação? Talvez uma interpretação diferente (não cheguei a ouvir sua coletiva), mas que não se mostrou eficaz para a decisão desta quinta-feira.

Erro nº 1

A escalação de Jefferson. Está claro que o prata da casa evoluiu com Barbieri, mas é ainda mais claro que Marcelo Hermes seria bem mais eficiente para a partida. Mesmo em poucos jogos, o recém-chegado mostrou muito mais poderio ofensivo, ainda que Jefferson tenha feito um gol contra o Sergipe. Se estava difícil com Michael pelo lado direito, talvez a agressividade de Hermes pela esquerda ajudasse a dividir as forças adversárias.

Erro nº 2

A insistência com centroavantes. Ficou bem óbvio que Júnior Brandão fez um péssimo primeiro tempo. E também estava nítido que o jogo terrestre do Goiás fluía bem melhor do que as bolas aéreas. Aliás, o jogo bem-sucedido pelo alto tem sido exceção no time este ano. Para vencer a zaga eficiente do CRB era preciso deixá-la confusa – mais um motivo para NÃO TER um camisa 9 de referência. Supondo que Leandro Barcia fosse o escolhido para voltar para o segundo tempo, é possível imaginar que vários jogadores esmeraldinos se revezariam pelo miolo da área, abrindo mais possibilidades diante da retranca alagoana.

O “erro” do acaso

O gol escolhido para os pênaltis. Isso não dá para pôr na conta do treinador, claro, porque a regra manda que a arbitragem escolha a meta em que se darão as cobranças. Mas o mito de que a torcida “ajuda” nesse momento é só isso, um mito – como qualquer mito. Pelo contrário, como a pressão estava toda sobre os atletas de verde, ter o tobogã como plano de fundo para executar as penalidades só serviu para tirar o foco. Veja bem, a questão não é o nervosismo, mas uma baixa da concentração.

Foi frustrante dar adeus à Copa do Brasil tão cedo este ano, porque, ao contrário de outros, a torcida sabe que tem em campo um time que poderia ir bem mais longe. Talvez por isso, a resposta ao fracasso, após o jogo, tenha sido o silêncio e não as vaias.

Ressalte-se que, em 90 minutos, o CRB fez um único arremate ao gol. E nem foi o do gol, porque neste a bola foi alçada na área e Sidão se atrapalhou (e foi atrapalhado) com os jogadores à sua frente. O que não quer dizer que não tenha falhado grosseiramente.

Já o Goiás chutou muito, mas com pouca eficiência e pontaria. Tanto que o goleiro Edson Mardden não fez nenhuma defesa difícil.

Os números mostraram um massacre esmeraldino. Mas o resultado foi aquilo que só o futebol pode proporcionar. Desta vez, não teve festa na Serrinha.

LINCOLNEANAS

 * * * * *  Pela segunda vez, a Serrinha foi o anticlímax verde numa decisão por pênaltis numa Copa do Brasil. A primeira vez tinha sido em 2000, quando outro time de letrinhas – o ABC – eliminou nas cobranças o Goiás de Fernandão, Araújo, Danilo e Josué.

 * * * * *  Cá entre nós: eu me assustei quando o árbitro marcou o pênalti. Mesmo para quem estava no estádio ficou muito nítido que Renatinho caiu – nem se pode dizer que ele se jogou.

 * * * * *  Léo Sena, sem dúvida o Bola de Esmeralda da partida, fez falta no fim do jogo. E pelo jeito da contusão, vai fazer falta contra o Vila Nova também.

 * * * * *  Talvez seja o primeiro texto deste ano que não toquei no nome de Michael, a não ser para dizer que não tinha tocado. Contra o CRB, foi muito discreto, mas ainda assim muito perigoso. Precisa de alguém em campo que preocupe os rivais tanto quanto ele.

 * * * * *  Que a diretoria construa logo a Arena. Jogo lotado na Serrinha é algo extremamente desconfortável.

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Elder Dias
Jornalista, servidor federal, ambientalista e esmeraldino por natureza. Buscando sempre aliar paciência de Jó com perseverança de Cafu.